Como pensar em apequenar o gigantismo do Porto diante do momento atual? Como diz uma expressão bem portuguesa, “chega mesmo a ter piada”...
Na estreia do Mundial de Clubes da FIFA, o FC Porto, um dos clubes mais tradicionais da Europa vive a fase da corda bamba. Com 2 Champions League e 2 Mundiais de Clubes nas páginas da sua história, é verdade que, se o nome impõe respeito, o momento do time português inspira mais cautela do que temor. De 3 anos para cá, o Dragão vive um dos momentos mais turbulentos da sua história recente — tanto dentro como fora de campo.

Fim de Era: a saída de Sérgio Conceição
O ponto de ruptura foi a saída de Sérgio Conceição, treinador que comandou o Porto por sete temporadas, conquistando três títulos do Campeonato Português e cinco taças nacionais. Ídolo do clube e figura central no vestiário, sua saída foi resultado direto da instabilidade política e administrativa que se abateu sobre o Dragão após as eleições para a presidência do clube. Conceição deixou o comando num momento em que o elenco já mostrava sinais de desgaste. Seu estilo combativo e de forte imposição tática deu lugar a um clima de incerteza no plantel, agravado pela transição no comando técnico. Com a saída de Sérgio Conceição, coube ao seu auxiliar direto, Vítor Bruno, assumir interinamente o comando da equipe. Vítor Bruno dirigiu o time nas últimas rodadas da temporada portuguesa e nos primeiros treinamentos da nova pré-temporada. Seu trabalho, embora bem avaliado internamente, parecia parte de uma transição já planejada, e, talvez, ele nunca foi considerado como solução permanente. Sua missão era tentar dar continuidade ao trabalho feito pelo antecessor, de quem desde sempre foi seu pupilo. O contrato foi assinado em 2024 para 2 temporadas, mas no início deste ano, Vitor Bruno acabou demitido.

Nova filosofia: a chegada de Martín Anselmi
Para o lugar de Vitor Bruno, a direção apostou em Martín Anselmi, técnico argentino de 39 anos que ganhou notoriedade no Independiente del Valle e, mais recentemente, no Cruz Azul do México. Jovem, moderno e adepto de um futebol propositivo, Anselmi traz uma filosofia oposta à de seu antecessor, baseada em posse de bola, pressão alta e versatilidade tática.
Mas tempo é um luxo que o novo treinador ainda não teve. Recém-chegado, Anselmi enfrenta o desafio de reconstruir o time com poucos reforços, pouco entrosamento e sem a base emocional sólida que sustentava a era Conceição.
Outro divisor de águas foi o falecimento do presidente mais vitorioso da história do futebol mundial.

A crise esportiva do Porto mostrou-se apenas uma parte do problema. A morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, em maio, encerrou uma era de mais de 40 anos à frente do clube. Sob seu comando, o Porto se tornou potência europeia, conquistando as 2 Ligas dos Campeões (1987 e 2004), além dos mundiais nestes mesmos anos, e se consolidou como o clube mais vencedor de Portugal nas últimas décadas em termos europeus, já que o Benfica é o clube com mais títulos nacionais, e também possui 2 Champions, embora sem mundial, quando perdeu em 1961 para o Peñarol, e em 1962 para o Santos, de Pelé.
A ausência de Pinto da Costa, além do impacto emocional, deixou um vácuo de liderança difícil de preencher. A nova direção, liderada por André Villas-Boas, tenta implementar mudanças, mas enfrenta resistência e heranças de uma estrutura envelhecida e financeiramente desgastada.
Começa hoje um novo capítulo na história do FC Porto: a Copa do Mundo de Clubes. O grupo não é fácil, o adversário, menos ainda, com um treinador que entende como poucos o futebol português dos dias de hoje. Mas que não se enganem: o Dragão está de joelhos, mas tem asas prontas para voar de novo e fogo para soltar.