O que era pra ser só bola rolando e rede balançando está virando também um verdadeiro estudo meteorológico. Já são quatro partidas interrompidas no Mundial de Clubes da FIFA 2025 por conta de condições climáticas adversas — e a segunda rodada ainda nem acabou. A vítima mais recente foi o duelo entre Benfica e Auckland City, que ficou mais de duas horas paralisado por risco de raios. Isso mesmo: a bola parou, e o trovão falou mais alto.

A situação, embora inusitada para muitos torcedores, está longe de ser desorganizada. A FIFA tem seguido orientações do National Weather Service (NWS), o serviço de meteorologia dos Estados Unidos, além de protocolos locais e o famoso “plano de segurança contra raios” usado em grandes ligas americanas como a NASCAR, a NCAA e a MLS.
O princípio é simples: se houver qualquer raio em um raio de oito quilômetros, o jogo para — e só recomeça depois de 30 minutos sem qualquer sinal elétrico no céu. E se aparecer outro clarão nesse intervalo, o cronômetro zera de novo. Tudo isso para evitar o que já aconteceu em 2012, quando um torcedor morreu após ser atingido por um raio durante uma prova da NASCAR. Desde então, os americanos não brincam com o céu.

A FIFA, por sua vez, não tem uma regra universal definida, mas atua com flexibilidade e cautela: escuta os meteorologistas, conversa com as autoridades locais e bate o martelo em cada estádio, caso a caso. E já dá pra dizer que virou rotina: Palmeiras 2 x 0 Al Ahly, Ulsan 0 x 1 Mamelodi Sundowns, Pachuca 1 x 2 RB Salzburg e o já citado Benfica 6 x 0 Auckland City entraram para a lista dos jogos interrompidos.

O NWS define que há ameaça significativa de raios quando as nuvens estão entre 9,6 e 16 quilômetros do local do evento. E como os céus de junho têm sido temperamentais nos EUA, os meteorologistas estão em modo full-time. Não são os árbitros nem os técnicos que decidem: são profissionais do clima que apontam se dá pra seguir ou se é melhor correr pro túnel.
E aí entra o manual básico do “torcedor prevenido”: viu raio? Ouviu trovão? Céu carregado? Melhor se proteger. As instruções são claras: interromper atividades ao ar livre, buscar abrigo interno e só voltar depois do último trovão — e com 30 minutos de bonificação, por precaução. Simples e eficaz.
Nos bastidores da FIFA, o clima (sem trocadilho) é de cautela, mas sem pânico. A organização entende que o Mundial, agora com cara de Copa do Mundo, não pode colocar ninguém em risco. E se o céu fechou... é esperar abrir. É chato, esfria o clima, perde o ritmo. Tudo isso é verdade. Mas, no fim, a máxima é a frase centenária: "o seguro morreu de velho". Então, que morra o seguro. O futebol agradece, a vida também.