
Pode não ter sido taticamente o melhor jogo da Copa do Mundo de Clubes. Mas com certeza foi o mais emocionante. O Al Hilal, azarão absoluto e irrefutável, de casas de apostas a mesas de bar, protagonizou uma verdadeira zebra no Mundial de Clubes da FIFA 2025, superando o favorito Manchester City por 4 a 3, na prorrogação, em uma disputa eletrizante no Camping World Stadium, em Orlando. E não foi só um resultado — foi um choque de culturas, com brasileiros, portugueses e o técnico Simone Inzaghi comandando um triunfo histórico.

Brasileiros brilham: Marcos Leonardo e Malcom salvam o time

Como todos os grandes times europeus, quando o dinheiro fala mais alto, as equipes internacionalizam seus elencos. E o Hilal não se mostrou diferente disso e hoje tem um time “árabe gourmetizado”. Sem isso, certamente sequer estaria nas oitavas do Mundial. E nisso, os brasileiros foram os protagonistas da virada. Marcos Leonardo, ex-Santos e Benfica, marcou duas vezes — aos 46’ do segundo tempo e aos 112’ da prorrogação — e se tornou o grande herói da noite. Malcom, outro ex-jogador de seleção e do Corinthians, também deixou sua marca com um gol decisivo no reinício da partida. Sofreu um pênalti, que foi anulado por um impedimento de milímetros: o atacante estava com a ponta do cotovelo a frente do ultimo defensor inglês. A dupla deu ao Al Hilal um ritmo de ataque forte, saindo sempre em contra-ataques meteóricos, o que pegou o City de surpresa. Kaio Cesar também entrou e manteve velocidade nas decidas do Hilal. Renan Lodi, que já pediu chance na seleção, foi monstruoso na defesa, quando o jogo virou para 3 x 3.

Rúben Neves segura o miolo
E como não destacar a liderança do volante português Rúben Neves, ex-Porto e Wolves? Junto com Savic, foi o pêndulo do meio-campo. Autoritário na distribuição e na cobertura, ele impôs seu futebol continental e garantiu o equilíbrio tático da equipe durante toda a partida. Gritou, lançou, deu carrinho, comandou a defesa, e fez a transição para o ataque sempre com maestria. O outro português, João Cancelo, chorou no fim, talvez pelo cansaço, talvez pelo calor, pela emoção de vencer um até então intransponível City... Ou quem sabe pela sua incansável cobertura ao marcar o ensaboado Jeremy Doku, que por vezes parava na raça do lateral da seleção mais promissora de Portugal. Além deles, um marroquino tem de ser enaltecido: quando o City chegava, Bono estava lá. Que goleiro sensacional tem o Al-Hilal.

Simone Inzaghi: “como escalar o Everest sem oxigênio”
Outro personagem que destacou-se foi Simone Inzaghi. Há poucas semanas no comando do time árabe, fez o torcedor da Inter de Milão, que havia acabado de perder para o Fluminense gerando crise no elenco italiano. Em sua coletiva, o treinador italiano definiu bem a grandeza do feito:
“Sabíamos que precisávamos fazer algo extraordinário — escalar o Everest sem oxigênio — e fizemos isso”
Ele destacou a aplicação tática e emocional: “O segredo foi o coração do time”, disse, elogiando o desempenho do grupo.
Inzaghi, que assumiu o clube no lugar de Jorge Jesus, ganhou méritos imediatos: afirmou que o triunfo revela o entrosamento rápido e a atenção aos detalhes, especialmente defensiva, definindo-os como “extraordinários” .

O drama da partida
O duelo foi um verdadeiro thriller: Depois de um primeiro tempo insosso e sonolento, o City abriu o placar com Bernardo Silva logo aos 9’. O time de Manchester entrou certo de que o jogo seria uma baba, moleza pura. E aí veio o segundo tempo. Em simplesmente 9 minutos, 3 gols. Mas o Al-Hilal virou com Marcos Leonardo e Malcom. Haaland empatou para o City aos 10, e o jogo, pegado e com um City acordando e tentando evitar o que considerava impossível, acabou indo para prorrogação. Koulibaly subiu no meio de dois zagueiros ingleses e pos o time árabe na frente de novo, no início da prorrogação. Phil Foden, a jóia de Guardiola, entrou e deu as cartas para empatar (de novo): 3x3. Eram 15 minutos apenas. Para saber se iríamos ter a primeira disputa de pênaltis da Copa, mas os deuses da bola não quiseram. O desejo deles era uma mágica ainda m ais impressionante. E Marcos Leonardo aproveitou o rebota de uma grande defesa de Ederson após cabeçada à queima-roupa de Savic e sacramentou o que parecia impossível: eliminou um dos favoritos do torneio.

Preparem-se para o “duelo da confiança”: Al-Hilal, que mandou o City pra casa, contra o Fluminense, que despachou a vice campeã da Champions.