António Lobo Antunes faleceu esta quinta-feira, 5 de março de 2026, aos 83 anos. Considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, autor de obras marcantes como Os Cus de Judas, Manual dos Inquisidores e Eu Hei-de Amar uma Pedra, era também um apaixonado por desporto, sobretudo pelo Benfica.
Por isso, o clube encarnado assinalou a morte de Lobo Antunes, que considera "um dos mais ilustres adeptos do clube, referência maior da cultura portuguesa contemporânea."
Nascido no bairro de Benfica, em Lisboa, desenvolveu desde cedo uma forte ligação ao clube encarnado, muito influenciada pelo pai. Na década de 1960, vibrou com os anos dourados do Benfica, em particular a conquista a Taça dos Campeões Europeus. Com herança literária situada na Guerra Colonial, chegou a afirmar que "quando o Benfica joga não há guerra."
Com o passar das décadas, porém, foi perdendo a paixão pelo futebol: “Agora é uma indústria, não é desporto. Eu, que sou sócio do Benfica desde pequenino, fui deixando gradualmente de ir ao futebol”, explicou, numa entrevista ao jornal Abola.
Na mesma conversa, apontou a razão do seu afastamento: “Começo a perder a paixão quando o Benfica começa a deixar de ser o Benfica. Ao contrário do FC Porto, fundado por banqueiros, ou do Sporting, fundado por um visconde, o Benfica foi fundado por casapianos. Sempre foi um clube do povo e por isso se tornou tão grande.”
Lobo Antunes chegou ainda a admitir que não ligava àquilo que chamou “seleção da montra”, não lhe dava prazer ver jogar Cristiano Ronaldo e considerava José Mourinho “muito arrogante.”
O escritor acreditava que o futebol contemporâneo tinha deixado de ser uma arte: "Hoje, não há qualquer amor pelo clube. O dinheiro comanda tudo e isso transforma o futebol para pior. Antes, os jogadores sofriam mesmo com as derrotas. Agora estão-se nas tintas."
Apesar das críticas ao rumo da modalidade, comparava os grandes jogadores aos grandes escritores, considerando-os grandes artistas também.