O Bodo/Glimt, adversário do Sporting CP na UEFA Champions League, tem um projecto de sucesso.
Mais importante: está longe de ser um projecto milionário, embora a equipa seja difícil de derrotar.
Por isso mesmo, vários clubes portugueses, incluindo Sporting CP, SL Benfica e FC Porto, podem aprender com a equipa norueguesa.
O Bodo/Glimt é um clube modesto do já de si discreto futebol norueguês, dominado pelo Rosenborg.
Até 2020, não tinha qualquer campeonato.
Em 2016, desceu à 2.ª liga norueguesa. Subiu logo no ano seguinte e, em 2018, terminou o campeonato em 11.º.
Foi o primeiro ano do actual treinador, o norueguês Kjetil Knutsen. Em 2020, o Bodo celebrou o primeiro título da história e, daí para cá, já ergueu o troféu mais três vezes.
A equipa também brilhou na Europa, com vitórias contra Roma, Celtic, FC Porto, SC Braga ou, já esta época, Man City, Atl. Madrid e Inter.
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O onze habitual do Bodo/Glimt é composto por nove jogadores noruegueses.
Só dois titulares fogem à regra: o guarda-redes russo Nikita Haikin e o ponta de lança dinamarquês Kasper Hogh.
O Bodo/Glimt é a prova de que, por vezes, não é preciso ir muito longe quando o talento pode estar à mão de semear.
E, se isso é verdade para um clube de uma pequena cidade da Noruega, mais verdade será para Portugal, país com o dobro dos habitantes e maior tradição no futebol.
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O Bodo/Glimt tem um perfil de contratações bem definido:
Um bom exemplo é Jens Peter Hauge, um dos craques da equipa: formado no Bodo/Glimt, não se impôs no Milan, no Frankfurt nem no Gent. O Bodo resgatou-o e Hauge tem estado a voar no clube.
Esta é, talvez, das lições mais importantes a tirar.
O Bodo/Glimt soube resistir à habitual dança das cadeiras, tão popular também em Portugal.
Kjetil Knutsen foi contratado em 2018, não teve sucesso imediato (11.º lugar na primeira época), mas o seu trabalho deu frutos.
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Esta vertente está ligada às anteriores: se há estabilidade, identificação com o projecto e critério nas contratações, tendencialmente o balneário sairá mais fortalecido.
O Bodo/Glimt tem conseguido manter um excelente espírito de equipa mesmo quando há saídas.
Os jogadores privilegiam o colectivo e isso é uma lição a extrair, seja para clubes portugueses ou quaisquer outros.
O Bodo/Glimt é capaz de jogar a um ritmo muito alto durante os 90 minutos, o que surpreende as equipas europeias.
A aposta nesta vertente pode beneficiar as equipas portuguesas, habitualmente mais centradas nos aspectos técnicos.