
A Argentina defronta a Espanha este domingo, às 20h00, na final do Mundial 2026. Lionel Messi tentará conduzir a albiceleste ao quarto título mundial, mas a história poderia ter sido totalmente diferente.
Messi tem uma ligação profunda a Espanha, pois viveu em Barcelona a maior parte da vida, e poderia mesmo ter representado a seleção espanhola, não fosse um estratagema decisivo da Federação Argentina.
Em 2000, com apenas 12 anos, Messi deixou o Newell’s Old Boys, em Rosario, para ingressar no Barcelona. Em quatro anos, tornou‑se a joia da La Masia e chamou a atenção… da seleção espanhola, que planeava convocá‑lo para o Europeu sub‑17.
A Federação Argentina não acompanhava de perto a evolução do jovem no Barça. Até que um empresário argentino ligado ao clube enviou uma cassete com os melhores momentos de Messi para Claudio Vivas, então adjunto de Marcelo Bielsa na seleção principal.
Hugo Tocalli, selecionador dos escalões jovens, percebeu imediatamente o potencial e também o risco: pelas regras da FIFA da época, se Messi se estreasse pela Espanha, mesmo em sub‑17, ficaria impedido de representar a Argentina no futuro.
A AFA entrou então numa autêntica corrida contra o tempo para contactar a família Messi, em Rosario. Depois de falar com o pai, organizou à pressa um jogo particular com um único objetivo: estrear Lionel Messi pela Argentina.
Foi numa noite fria de inverno, fora da pausa de seleções. Num estádio quase vazio, porque não houve tempo para vender mais de 500 bilhetes. Em Lanús, terra onde Diego Maradona deu os primeiros toques na bola. Contra o Paraguai, convidado à última hora. Ali, Messi vestiu pela primeira vez a camisola albiceleste, na categoria sub‑20.
A Argentina venceu por 8-0, e Messi marcou. Mas o impacto do jovem que brilhava no Barcelona era apenas uma sombra do que viria a tornar‑se: um dos maiores jogadores da história, líder de uma geração e símbolo eterno do futebol argentino.
Se no domingo a Argentina luta pelo quarto título mundial (o segundo com Messi), pode agradecer ao estratagema de 2004, que garantiu que o maior talento da sua história nunca escapasse para outra seleção.



