
A Argentina venceu a Inglaterra por 2-1, esta quarta‑feira, e garantiu um duelo de luxo com a Espanha na final do Mundial 2026.
A campanha argentina tem sido marcada pelo sofrimento, e a meia‑final não foi diferente. A equipa esteve a perder até aos 86 minutos, mas duas assistências de Lionel Messi para Enzo Fernández e Lautaro Martínez consumaram a reviravolta.
Recorde‑se que, nos oitavos de final, a albiceleste recuperou de uma desvantagem de dois golos frente ao Egito. Contra Cabo Verde e Suíça, também teve de desfazer igualdades apertadas. Mas como se explicam as constantes ‘remontadas’ da Argentina?
Nenhuma equipa recupera tantas vezes sem uma base de solidariedade e crença coletiva. Há anos que o grupo está unido para “dar a vida por Messi”, e essa mentalidade mantém‑se intacta. Mesmo em desvantagem, a Argentina preserva a agressividade, a pressão alta e a insistência no seu futebol associativo.
A gestão de Lionel Scaloni tem sido mais contestada em 2026 do que em 2022, mas continua a revelar enorme capacidade de transformar opções em soluções. Frente à Inglaterra, o conjunto das substituições deu à Argentina aquilo que precisava: profundidade nas alas, Messi envolvido na construção e experiência para alimentar a crença na reviravolta.
A maturidade do grupo permite gerir a pressão dos jogos a eliminar e encontrar respostas em cenários adversos. A soma da experiência nos clubes com as conquistas recentes pela seleção dá ao núcleo duro — Messi (39 anos), Otamendi (38), Emi Martínez (33), De Paul (32), Paredes (32) — uma capacidade única de manter todos focados nos momentos decisivos.
Dificilmente a Argentina teria virado tantos jogos sem as execuções sublimes de Messi. Aos 39 anos, continua a quebrar linhas com dribles, passes decisivos e uma leitura de jogo que transforma qualquer ataque. Menção honrosa para Enzo Fernández, verdadeiro “canivete argentino”, perigoso em qualquer zona do campo.



