Bruno Fernandes somou a 14.ª assistência da temporada esta quarta-feira, apesar da derrota do Manchester United frente ao Newcastle (2-1). O registo deixa-o a apenas um passe para golo de igualar o máximo de David Beckham, estabelecido em 1999/00.
Além de líder em campo, o internacional português é um especialista no último passe, capaz de colocar os colegas em posição de finalização. A qualidade dessas bolas resulta de vários fatores, mas tudo começa na posição que ocupa no terreno.
O local do campo de onde Bruno Fernandes cruza é uma parte importante da eficácia dos seus passes para a área, ainda que não seja o único fator.
Ao contrário dos extremos, que cruzam sobretudo da linha de fundo, Fernandes aparece muitas vezes nos corredores entre o centro e a ala, conhecidos como meios-espaços (half-spaces).
No futebol moderno, estas zonas são especialmente valiosas, porque criam ângulos de defesa mais difíceis, permitem que a bola entre na costas da linha defensiva e dão aos atacantes a possibilidade de atacar a bola em movimento, em vez de disputar duelos físicos.
No Man United, Fernandes recebe muitas vezes a bola no meio-espaço direito e executa cruzamentos tensos e curvos para zonas de finalização.
Aproveitar os meios-espaços passa por atacar quando a linha defensiva ainda se está a reorganizar. Por isso, Bruno Fernandes aposta muitas vezes em cruzamentos antecipados.
Quando recebe a bola nesses corredores, observa rapidamente a área e cruza antes de a defesa se conseguir posicionar. Como os atacantes estão em movimento, torna-se mais difícil para os defesas e para o guarda-redes preverem onde a bola vai cair.
Na fração de segundo antes do cruzamento, a leitura do jogo é decisiva. Fernandes procura sobretudo movimentos nas costas da defesa, jogadores a surgir no segundo poste e espaços entre os centrais, que os avançados trabalham para criar.
A técnica também é importante. Apesar de utilizar diferentes tipos de cruzamento, o efeito que imprime na bola é especialmente revelante nessas zonas. Nesse sentido, bate muitas vezes com o peito do pé ou a parte exterior, criando uma trajetória curva. O pouco balanço que toma antes do passe também dificulta a antecipação dos defesas.

As técnicas de Bruno Fernandes não servem apenas para assistir colegas. Quando está suficientemente próximo da área ou tem uma boa visão da baliza, também recorre a remates cruzados, difíceis de defender se forem executados com força e precisão. Já marcou vários golos assim, tanto no United como na seleção nacional.
Mas o elemento decisivo é mental: aceitar o risco. Fernandes não é o jogador com maior percentagem de acerto na Premier League; muitos dos seus cruzamentos não encontram destinatário, mas os que chegam ao destino criam ocasiões claras de golo. Liderando essa estatística, continua a ser um dos principais criadores ofensivos do futebol mundial.