
Jorge Jesus é o novo seleccionador nacional e há, desde logo, um elefante gigante na sala: o treinador conta ou não com Cristiano Ronaldo?
O capitão da selecção tem 41 anos e terá 43 no próximo Europeu (e 45 no Mundial 2030). Continuará disponível para jogar por Portugal? E Jesus, que na última época o orientou no Al-Nassr, irá convocá-lo para a selecção?
Na apresentação como seleccionador nacional, Jorge Jesus disse estar a contar convocar Cristiano Ronaldo, desde que este tenha condições para acrescentar valor.
"Ainda não falei com o Cris. O Cris nunca vai ser um problema nem para a selecção nem para mim".
"Quando tiver de tomar alguma decisão, vou falar com o Cris. Mas não vou falar só com o Cris: vou falar com o Cris e com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris".
"O Cris é um símbolo do futebol português, da selecção e de Portugal. Isso vai ficar sempre na história".
"Tive o grande prazer de trabalhar com ele neste último ano. É fácil trabalhar com ele, facílimo trabalhar com ele, desde que ele perceba até onde pode chegar e que eu perceba também onde ele pode chegar. A partir daqui, as coisas serão fáceis. Mas será sempre ele - e isso é uma conversa que vamos ter os dois -, a dizer o que quer para o futuro da carreira".
"A partir do momento em que [Ronaldo] esteja a jogar e que tenha condições para ser seleccionado eu vou fazê-lo, dentro de um limite e das condições que eu achar que serão as melhores para a selecção".
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Na primeira entrevista como seleccionador nacional, ao Canal 11 (a 20 de Julho), e sem mencionar Ronaldo, Jorge Jesus deixou mais algumas pistas sobre o futuro do capitão da selecção.
Sobre a primeira convocatória (jogos com Gales e Noruega para a Nations League, a 24 e 27 de Setembro), Jesus avisou que não fará revoluções.
"O facto de termos ficado nos oitavos-de-final [do Mundial]... 'Ah, o novo selecionador vai chegar e mudar estes jogadores'. Não, não vai ser. Não sou burro...".
"Ainda por cima, não há tanto tempo assim para mudar vários jogadores. E também não há assim um leque tão grande de jogadores neste momento. Ao longo dos quatro anos vão aparecer jogadores novos, não tenho dúvida nenhuma. Mas de um mês para o outro... Não vai fugir muito daqueles que foram convocados. Dois ou três novos, algo assim do género. Mas não vai fugir muito disso".
O seleccionador referiu ainda que é normal os jogadores terem "estatutos diferentes": "Não penso só na Seleção, penso nos clubes. Os jogadores têm de ter estatutos diferentes. Têm de ter todos regras iguais, mas os colegas têm de saber que há jogadores que são diferentes. Diferentes pelo seu passado, pela importância que têm nas equipas. Mas as regras? Isso é igual para todos", concluiu.
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Durante o Mundial, antes do jogo com a Croácia, uma das irmãs de Ronaldo afirmou que o irmão estaria prestes a dizer adeus à selecção.
"Pela informação que tenho, podem despedir-se. (...) Acredito que é a despedida. Aproveitem muito. (...) Estou a falar da seleção. Pela informação que tenho, de fonte segura, acredito que é a last dance", escreveu Kátia Aveiro, nas redes sociais.
No entanto, na véspera do jogo diante da Espanha, Ronaldo escondeu o jogo perante os jornalistas: "Deixarei a seleção quando eu quiser, não quando vocês quiserem", atirou.
No dia seguinte, após a eliminação do Mundial, CR7 confirmou que não voltará a jogar um Mundial, mas recusou revelar se irá retirar-se da selecção.
"Foi meu último Mundial, sim, mas terei tempo para pensar com a minha família [sobre se se retira da selecção]. Não gosto de decidir as coisas de cabeça quente", referiu.
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Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo têm uma relação de cumplicidade.
Em Maio, depois de ambos se terem sagrado campeões sauditas pelo Al-Nassr, JJ revelou só ter aceitado treinar o clube devido a Ronaldo.
"Eu disse-lhe [a CR7]: 'Só aceitei treinar o Al-Nassr por ti e vais sair daqui com um título'", referiu.
Nos 49 jogos em que Jesus esteve à frente do Al-Nassr, Ronaldo alinhou em 30, sempre a titular. Nessas 30 titularidades, foi substituído 17 vezes.
Da 17 vezes em que Jesus substituiu Ronaldo, sete foram nos últimos cinco minutos dos jogos.



