Kylian Mbappé é uma estrela desde criança, quando ainda se destacava nas ruas de Bondy, na região metropolitana de Paris. Aquele garoto elástico e rápido, com um talento natural para superar os adversários, chamou a atenção de olheiros de toda a Europa. Ele tentou jogar no Real Madrid C. F., esteve perto de ir para o Chelsea FC e Zidane o orientava sem parar. Acabou indo jogar no AS Monaco.
Hoje, seria inimaginável se o Paris Saint-Germain não estivesse nessa lista de nomes, mas aquele PSG não era o que é hoje, e nem sequer estava na disputa pelo maior talento que surgiu em sua cidade.
Eram outros tempos, mas, acima de tudo, era um PSG diferente. Aquele garoto de Bondy logo se tornou o jogador de futebol de quem todos falavam. O Monaco sentia que essa relação não duraria. Mbappé, mais cedo ou mais tarde, buscaria uma vaga em um dos maiores clubes do mundo.
Foi aí que surgiu o PSG. Quando ele era adolescente, o clube não fazia parte dessa constelação, mas em 2017, quando o seu talento já era evidente até na Liga dos Campeões da UEFA, os parisienses já tinham o dinheiro e o prestígio necessários para realizar tal contratação. Mbappé, assim como Neymar, decidiu ser um dos primeiros blocos sobre os quais esse edifício seria construído.
Mbappé chegou a Paris e era a estrela que eles esperavam. O clube conquistou campeonato após campeonato, e ele se dedicou a marcar gols em um ritmo vertiginoso. 308 jogos, 256 gols, números notáveis reservados apenas para alguns poucos.
Em Paris, sua cidade natal, Mbappé deixou de ser criança. Foi campeão da Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018™, com atuações memoráveis, como a contra a Argentina nas quartas de final. Também terminou em segundo lugar no Catar, e ninguém ousaria culpá-lo por essa derrota, já que sua atuação naquela final pode entrar para a história como uma das melhores atuações de um jogador que acabou perdendo.
Mbappé era o rosto do PSG porque ainda era o garoto de Bondy que conheceu o futebol nas ruas da capital francesa. A relação entre eles era intensa e, embora o interesse do Real Madrid estivesse sempre presente, como uma obsessão de longa data. Aquele clube o levou até a fazer um teste quando criança, mas ele renovou seu contrato para continuar vestindo a camisa azul e vermelha na França.
No verão passado, porém, ele decidiu que era hora de partir. O Real Madrid, então campeão europeu, o time mais vitorioso da história do continente, estava ligando. O clube cujos pôsteres cobriam seu quarto de infância.
A despedida foi difícil, mas o PSG conseguiu alcançar patamares que não havia alcançado com Mbappé no elenco. Campeões europeus, enfim. O atacante, em Madri, começou um pouco devagar, mas acabou marcando um bom número de gols. O clube, no entanto, não correspondeu às exigências de um time onde qualquer coisa menos que a vitória é o abismo.
Nova York viverá o reencontro. O Mundial de Clubes da FIFA 2025™ é a competição com a qual o Real Madrid pode reverter uma temporada infeliz. É também o palco onde o PSG pode costurar o fim de uma das melhores temporadas para um clube de futebol. No meio estará Mbappé, que não pôde jogar na primeira fase devido a uma gastroenterite, mas já teve minutos e até marcou nas quartas de final contra o Borussia Dortmund.
O futebol é cheio de reencontros, de jogadores que saíram e de repente enfrentam seu antigo clube, de gols de ex-jogadores celebrados ou não. São quase incontáveis, mas ninguém pode ignorar o fato de que os de Mbappé serão especiais. O garoto de Bondy enfrenta pela primeira vez o time onde finalmente decolou: Paris contra um parisiense.