
A convocatória do Brasil para o Mundial 2026 foi anunciada com pompa e circunstância, tratada quase como um evento de Estado. A imprensa mobilizou-se em peso e os adeptos reagiram com entusiasmo, tudo porque um nome que eclipsou os restantes 26 convocados: Neymar.
Aos 34 anos, Neymar regressa à Seleção após uma longa recuperação física. Durante grande parte da sua carreira foi incontestável na canarinha, mas a grave lesão no joelho em 2023 afastou-o dos relvados durante quase um ano e colocou em causa o seu estatuto.
O Brasil não vence um Mundial desde 2002. A ausência de Neymar agravou a sensação de crise de identidade e perda de competitividade, já que durante anos foi a referência em torno da qual a equipa se estruturava, tal como aconteceu com Pelé, Romário ou Ronaldo noutros tempos.
O regresso ao Santos em 2025 foi acompanhado de perto pela imprensa e pelos adeptos, que exigiam sinais claros de recuperação. Só a partir de março de 2026, Neymar reencontrou a melhor forma, somando golos e exibições decisivas pelo clube de formação.
Porém, a decisão de Carlo Ancelotti em incluí-lo na lista final não se deveu apenas a critérios técnicos. Houve intensa pressão mediática, com jornalistas, adeptos e antigos jogadores (incluindo Romário) a defenderem que Neymar ainda tinha muito para dar. O argumento central era que, além da qualidade individual, a sua experiência poderia orientar jovens talentos como Endrick e Vinícius Júnior.
(C)Getty Images
Os riscos da convocatória de Neymar começam pelo seu extenso histórico de lesões, que continua a levantar dúvidas sobre a sua capacidade de suportar a exigência física de um Mundial. A isto junta‑se a incerteza sobre a sua forma competitiva: apesar de ter reencontrado bons números no Santos, o Mundial pode expor fragilidades.
Há também o risco simbólico da perceção de que a sua inclusão resulta tanto de pressão mediática como de critérios técnicos, criando uma dependência emocional que pode afetar o equilíbrio da equipa caso o rendimento não acompanhe as expectativas.
Por outro lado, as oportunidades são igualmente claras. Neymar leva consigo uma experiência de quatro Mundiais disputados, algo que pode transmitir maturidade em momentos decisivos para um grupo jovem. Além disso, a sua qualidade técnica permanece acima da média: continua a ser um jogador capaz de desbloquear jogos com um gesto individual.
A sua liderança simbólica tem peso real: a presença de alguém que marcou uma geração reforça a identidade da seleção e motiva jovens talentos que cresceram a vê‑lo como referência.
A convocatória de Neymar para o Mundial 2026 representa um equilíbrio delicado entre risco e oportunidade. A sua condição física gera incertezas, mas a experiência e o talento podem ser determinantes para o Brasil. O hexa não fica mais próximo apenas pela sua presença, mas o sonho da conquista sai claramente reforçado.



