O Sporting CP empatou de forma surpreendente com o Tondela, esta quarta-feira, e não tem mais hipóteses de revalidar o título da Primeira Liga.
Depois de uma época globalmente positiva até ao início de abril, o adeus ao tricampeonato consumou-se numa sequência negativa: derrota frente ao Benfica e empates com AVS e Tondela, os dois últimos classificados.
Além de ver fugir o título, o Sporting deixou de depender apenas de si para garantir o segundo lugar, arriscando cair para a UEFA Europa League após uma campanha histórica na UEFA Champions League. O que explica esta quebra?
Antes da pausa para seleções, o Sporting vivia um momento ascendente e só não liderava o campeonato porque o FC Porto mantinha uma vantagem confortável.
Os leões tinham acabado de garantir um apuramento inédito para os quartos de final da Champions, após uma reviravolta épica frente ao Bodo/Glimt. Pelo meio, venceram também o FC Porto na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.
Já em abril, um deslize do rival relançou a perseguição ao topo e prometia uma luta até ao fim. Mas o desfecho foi bem diferente.
Os problemas do Sporting acumularam-se ao longo da temporada, até derraparem como uma bola de neve.
O rendimento do Sporting esteve constantemente condicionado por problemas físicos. Ao todo, 18 jogadores passaram pelo departamento médico em diferentes momentos da época.
É difícil imaginar uma equipa com tantas limitações a manter consistência competitiva, embora Rui Borges tenha conseguido na época passada. Desta vez, não foi possível.
Desde a segunda mão frente ao Arsenal na Champions, figuras como Pote, Maxi Araújo e Luis Suárez aparentam ter atingido um limite físico. A equipa perdeu intensidade e, por isso, teve maiores dificuldades contra adversários fechados.
As lesões ajudam a explicar a quebra física, mas não contam toda a história. Mesmo com maus resultados, o Sporting continua com produção ofensiva suficiente para vencer jogos.
Por isso, a vertente psicológica também entra em jogo. A derrota no dérbi com o Benfica poderá ter sido um momento-chave, pela forma como aconteceu. Já em tempo de compensação, o Sporting festejou um golo de Rafael Nel, mas foi anulado por fora de jogo. Pouco depois, Rafa marcou e selou a vitória encarnada.
O impacto emocional desse momento pode ter sido decisivo. A equipa parece ter sentido que o objetivo do tricampeonato se tornara inalcançável e, a partir daí, instalou-se uma quebra anímica. O empate com o Tondela, depois de estar a vencer por 2-0 aos 90 minutos, ilustra bem o efeito dominó.
A época do Sporting ainda não terminou. A equipa orientada por Rui Borges mantém hipóteses de chegar ao segundo lugar. Além disso, está na final da Taça de Portugal, onde é favorita frente ao Torreense.
Mesmo que não apague a desilusão no campeonato, a conquista de um troféu pode devolver confiança ao grupo antes da preparação para 2026/27.
Por fim, a redução do calendário, com apenas um jogo por semana nas próximas semanas, poderá ser determinante para recuperar índices físicos e mentais. Em Alvalade, o objetivo será reencontrar a consistência vencedora dos últimos anos.