
Portugal prepara o Mundial 2026 com a ambição de conquistar o primeiro título mundial da sua história. Para isso, terá de superar o que fez nos últimos grandes torneios, inclusive na Rússia 2018.
No Mundial em que era campeão europeu, Portugal não caiu cedo nem chegou longe, preso a um sofrimento que já não garantia vitórias.
Dois anos depois de conquistar o Euro 2016 , o primeiro troféu oficial da seleção, Portugal chegou à Rússia com estatuto reforçado. A equipa de Fernando Santos mantinha o seu futebol pragmático e de sofrimento, mas o sucesso legitimava o método. “Pouco importa se jogamos bem ou mal”, dizia o cântico.
Cristiano Ronaldo continuava a ser a grande figura, mas o plantel era mais equilibrado e experiente. Apesar do grupo exigente, com Espanha, Marrocos e Irão, havia confiança numa campanha sólida.
O duelo de estreia com a Espanha era o maior teste desde a final de Paris. O fantasma da goleada alemã de 2014 ainda pairava e Portugal tentou gerir o jogo com o habitual foco no equilíbrio defensivo. Mas os três golos espanhóis mostraram que só defender já não chegava.
Foi então que surgiu um Ronaldo monumental. Um penálti, um remate que De Gea deixou escapar e um livre perfeito compuseram um hat-trick que evitou a derrota e ofereceu a melhor exibição de sempre do capitão em Mundiais. Um empate épico, fiel ao ADN do sofrimento, mas que não escondia as limitações coletivas.
Contra Marrocos, o golo madrugador de Ronaldo parecia anunciar uma tarde tranquila. Não foi o caso. A resposta marroquina expôs fragilidades inesperadas e transformou o 1-0 num triunfo mais sofrido do que necessário.
O jogo com o Irão trouxe um balde de água fria. Quaresma brilhou com uma trivela magnífica, mas Ronaldo falhou um penálti e a equipa de Carlos Queiroz empatou nos instantes finais. Portugal, que esteve grande parte do encontro no primeiro lugar virtual, caiu para segundo e teria de enfrentar o sempre duro Uruguai. As dúvidas já superavam as certezas.
Nos oitavos de final, Portugal esteve sempre atrás do resultado. O golo inicial de Cavani foi um golpe duro; o segundo, após o empate luso, foi definitivo. Ronaldo desapareceu dentro da muralha uruguaia e a seleção nunca encontrou forma de a derrubar. Com o passar dos minutos, a eliminação tornou-se inevitável.
Foi aqui que começaram as dúvidas sobre a capacidade de Fernando Santos para repetir o feito de 2016. Apesar disso, o selecionador mantinha crédito por gerir uma seleção com a pressão inédita de ser campeã europeia.
Até hoje, não há indícios de que Portugal tenha aprendido a lidar com esse estatuto. Assim, o Mundial 2018 permanece como um ponto e vírgula na história da seleção.



