Código de erro: %{errorCode}

Thiago Silva lidera o Fluminense com pés, cabeça e coração

FIFA
  • Zagueiro inspira Fluminense FC em campanha – que já é histórica – no Mundial de Clubes da FIFA 2025™
  • Compre ingressos para acompanhar os melhores times do mundo nos EUA
  • Ficou em casa? Assista ao vivo e de graça a todos os jogos do torneio no DAZN

Não deixem nada para depois.

A tensão desfilava no ar entre os jogadores do Fluminense FC nos vestiários dos Estádios Bank of America, de Charlotte, e Camping World, de Orlando. A minutos de entrar em campo pelos jogos de mata-mata do Mundial de Clubes da FIFA 2025™, os jogadores tricolores respiravam fundo diante de um desafio que, para muitos, não se parecia com nada vivido na carreira anteriormente.

Para Thiago Silva, não. Aos 40 anos, o zagueiro é o capitão do Flu e usou toda sua experiência para transformar a tensão pré-jogo em vibração desde o minuto inicial das vitórias sobre a FC Internazionale de Milão (nas oitavas) e o Al Hilal (nas quartas).

"Eu quero dizer um negócio com vocês. Pensei durante a noite, durante ontem, sobre entregar tudo lá dentro. De não deixar para depois o que a gente pode fazer agora", bradou Thiago. "Não espera, de acordo com o jogo, falar 'o que eu poderia ter feito. Não."

View post on Instagram
 

Ao falar sobre a necessidade de aproveitar o momento, o zagueiro foi às lágrimas lembrando de seu padrasto, que foi como um pai para ele. Doente durante a Copa do Mundo da FIFA 2014™, ele seria internado e morreria meses depois, sem que Thiago pudesse ter o visitado no hospital.

"Eu não fui ver ele no hospital porque eu achei que ele ia sair", lamentou.

"O que eu quero dizer: não deixa de fazer lá dentro o que a gente pode fazer agora, não deixa para depois porque não dá tempo."

O falecimento dos portugueses Diogo Jota e André Silva também teve impacto no discurso de Thiago antes do jogo contra o Al Hilal: "É fácil deixar o tempo passar. Quando soube o que aconteceu, essa foi a primeira coisa em que eu pensei: não espere pelo amanhã. Se quer fazer algo, faça agora. Aconteça o que acontecer, você ficará em paz."

A emoção foi transformada em união dentro de campo, e o Fluminense mostrou desde o início dos dois jogos que estava disposto a não deixar nada para depois.

Contra a Internazionale, logo aos três minutos, Germán Cano aproveitou jogada na área para abrir o placar e os caminhos para a vitória.

Com a vantagem no jogo, o Fluminense passou a se defender com maestria para evitar uma reação dos italianos. A partir deste momento, mais uma vez foi possível notar a liderança de Thiago. Em um esquema novo de três zagueiros, o capitão dominou o centro da área e neutralizou as tentativas do francês Marcus Thuram.

Já na partida contra o Al Hilal, o Tricolor abriu o placar com Martinelli e lutou defensivamente para impedir uma virada no segundo tempo – e, para a alegria de sua torcida, fez o segundo gol da vitória com Hércules aos 25.

Nos momentos de maior necessidade, é sempre ele quem aparece como grande liderança técnica do sistema defensivo do time. Ao lado de Jhon Arias, o zagueiro tem sido o jogador mais seguro do Flu com a bola nos pés neste Mundial, e ele também ressalta a importância de jogar com o coração na ponta da chuteira: "Enfrentamos times que investem pesado em jogadores, mas temos mais coração em campo."

transform-ba248e05-ae55-485f-880a-507e5337c495-Fluminense-FC-v-Borussia-Dortmund-Group-F-FIFA-Club-World-Cup-2025

Mas não é só com o coração e com os pés que ele lidera. Contra a Inter de Milão, ao enxergar um desencaixe na forte marcação feita pelo time de Renato Portaluppi, o zagueiro aproveitou a parada para hidratação, pediu a palavra e sugeriu uma mudança tática no time.

A preocupação de Thiago era com o cansaço de Arias, que seria deixado mais à frente, com menos obrigações defensivas.

"Vamos fazer 5-4-1, deixa ele (Arias) na frente, o Everaldo consegue ali (pela ponta). Ele está cansado para marcar lá".

Renato considerou a ideia, mas se preocupou com um detalhe: "Quem vai pegar o lateral direito lá?". Lima assumiu essa responsabilidade, o treinador acatou a sugestão e o Fluminense não só manteve o gol intacto, como fez o segundo, com Hércules.

View post on Instagram
 

Todo este contexto fez com que Renato elogiasse Thiago após a vitória sobre o Al Hilal.

"Thiago Silva é um monstro, um cara que joga muito. É um treinador dentro de campo. Ele ajuda bastante, passa tranquilidade e experiência para os demais jogadores. Em uma hora desses, em jogos tão difíceis contra os melhores times do mundo, é fundamental ter um jogador com esse perfil. Eu tenho conversado bastante com ele. Hoje, nós nos abraçamos e trocamos ideia: faltam dois jogos para nós. Vamos continuar trabalhando firme e forte para chegar à final, e ele é fundamental", afirmou o treinador em entrevista coletiva.

O domínio da tática por Thiago Silva não chega a ser uma novidade. O zagueiro já iniciou seus estudos na CBF Academy, escola de formação de técnicos do Brasil, e nunca escondeu que quer seguir trabalhando com futebol após o fim de sua carreira.

"O Renato é um cara muito aberto. Um livro aberto, sabe?", afirma Thiago em entrevista à FIFA. "Tenho uma boa relação com ele já de muito tempo. Desde a época do Fluminense, lá atrás de 2007, 2008. Fui convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez quando era treinado pelo Renato.  Enfim, sempre me deu muitos conselhos. A gente tem uma boa relação, e essa troca é importante. Mas o lado humilde dele permite que isso aconteça. Porque nem todos os treinadores têm essa humildade para entender o momento do jogador."

transform-a16ce3e3-3e81-4f83-82a6-f5dd9029dbfb-FC-Internazionale-Milano-v-Fluminense-FC-Round-Of-16-FIFA-Club-World-Cup-2025

Dentro do vestiário, os companheiros ficam admirados. "O Thiago tem uma visão diferenciada. É um grande líder, um grande capitão. Tem uma visão tática muito acima. Ele consegue enxergar e mudar algumas coisas dentro de campo que são importantes para gente, vê o jogo em uma posição que consegue enxergar o campo", disse o lateral René em entrevista à TV Globo.

Esta competição tem sido ainda mais especial para Thiago Silva, porque o zagueiro não fez parte das conquistas da Libertadores da América, da Recopa Sul-Americana e nem mesmo do bicampeonato Carioca, títulos que marcaram a atual geração na história do Fluminense.

O capitão, que voltou ao Tricolor no meio do ano passado, sonha com um título importante para fechar sua carreira e sua história nas Laranjeiras. O Mundial de Clubes da FIFA parece ser a oportunidade perfeita para isso e Thiago está a apenas dois jogos de realizar seu sonho. A empreitada continuará na terça-feira, em Nova York-Nova Jersey, quando o Fluminense enfrentará o Chelsea – ex clube de Thiago – na semifinal.

transform-6b96937d-18b3-412c-b44b-9968776453ae-Chelsea-v-Palmeiras-Final-FIFA-Club-World-Cup-UAE-2021