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O que são os Enhanced Games (Jogos do Doping) e por que fracassaram?

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E se fosse permitido usar doping nos Jogos Olímpicos? Foi esta a premissa que deu origem aos Enhanced Games, uma competição realizada a 24 de maio que autorizou atletas a recorrerem a substâncias potenciadoras e tecnologias normalmente proibidas.

Os organizadores defendiam que o desporto deveria abraçar a ciência sem restrições antidoping, prometendo performances inéditas e prémios elevados. A ideia gerou entusiasmo imediato, mas também forte polémica, tornando-se um dos projetos mais controversos do desporto contemporâneo.

No entanto, os Enhanced Games falharam em cumprir a promessa de “reinventar o desporto”. Apesar do doping permitido, quase nenhum recorde foi batido e o evento acabou por gerar mais debate ético e médico do que resultados desportivos.

O que são os Enhanced Games?

Os Enhanced Games foram criados em 2026, em Las Vegas, e apresentados como “a olimpíada dos esteróides”. A proposta consistia em permitir e até celebrar o uso de substâncias proibidas para explorar os limites máximos do corpo humano.

O evento contou com financiamento de investidores como Peter Thiel e Donald Trump Jr., oferecendo prémios de até 1 milhão de dólares por cada recorde mundial quebrado.

O que aconteceu nos Enhanced Games?

Numa única noite de competição, apenas um recorde mundial foi batido, o do nadador grego Kristian Gkolomeev nos 50 metros livres, e nem sequer foi reconhecido oficialmente, por ter sido obtido com substâncias proibidas e com um fato tecnológico banido.

Provas como natação, atletismo e halterofilismo ficaram aquém das expectativas, com alguns atletas não dopados a vencerem. Nos 100 metros, Fred Kerley prometeu superar o recorde mundial de Usain Bolt, mas acabou por ficar aquém da sua própria marca de carreira.

As críticas do Comité Olímpico Internacional e as dúvidas sobre a credibilidade da cronometragem agravaram ainda mais a perceção de fracasso.

Que substâncias foram usadas?

Os protocolos utilizados pelos atletas incluíram testosterona, hormona de crescimento, esteroides anabolizantes, eritropoietina (EPO), moduladores metabólicos e estimulantes como Adderall.

A organização defendia que o uso controlado destas substâncias permitiria explorar o “máximo potencial humano”, mas a prática revelou-se muito menos impressionante do que o discurso.

Há perigo para a saúde?

Os riscos associados ao uso destas substâncias são significativos. Esteroides e testosterona aumentam a probabilidade de doenças cardíacas, danos hepáticos e infertilidade. A hormona de crescimento pode provocar diabetes, hipertrofia de órgãos e até tumores. A EPO torna o sangue mais espesso, elevando o risco de trombose e AVC. Já os estimulantes podem causar dependência, ansiedade e arritmias.

Para além dos efeitos físicos, existe ainda o risco de dependência psicológica e transtornos mentais induzidos por substâncias, frequentemente ignorados no debate público.

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