Em dia de eleições presidenciais em Portugal, apresentamos-te uma lista de clubes que, por uma razão ou por outra, são habitualmente mais conotados ou com a esquerda ou com a direita do espectro político.
Nota que esta não é uma lista exaustiva, pelo que haverá vários clubes que não são mencionados e que também poderiam figurar numa das listas.
O facto de um clube ser conotado com a esquerda ou com a direita não quer dizer, necessariamente, que a direcção ou que todos os adeptos partilhem dessa orientação política.

FC Barcelona:
É sobretudo associado ao catalanismo e ao antifranquismo, até porque, na altura da ditadura de Francisco Franco (1936-1975), a cultura catalã era reprimida.
Ainda assim, Barcelona é uma cidade com uma burguesia vibrante, pelo que, mais do que ser associado à esquerda, os blaugranas são conotados com a ideia de independentismo.
Rayo Vallecano:
Clube do bairro operário de Vallecas, em Madrid, tem uma ligação profunda a causas sociais e a uma esquerda urbana e antifascista - frequentemente anarquista, movimento que continua a ter expressão em Espanha.
Os Bukaneros, claque do Rayo, assumem-se abertamente de esquerda.
Athletic Bilbao:
Tal como aconteceu na Catalunha, também a identidade basca foi reprimida durante o franquismo. Hoje, o País Basco costuma ser um bastião de esquerda.
O Athletic Bilbao assume-se como expressão máxima da identidade basca. Funciona quase como uma "selecção nacional", já que só contrata jogadores bascos ou com ligações familiares à região.

FC St. Pauli:
É, provavelmente, o exemplo mais flagrante na Europa. St. Pauli é um bairro de Hamburgo, historicamente conotado com a contracultura, o punk e a multiculturalidade.
O clube é fiel a essa herança. Muitos adeptos identificam-se com a esquerda liberal e cosmopolita, assumindo-se como antifascistas, anti-racistas e pró-LGBT.
Union Berlin:
Tal como o St. Pauli, a massa adepta tem um perfil cosmopolita de contracultura.
Durante a Guerra Fria, o Union Berlin estava situado em Berlim Leste e jogava na liga da Alemanha de Leste (comunista).
Nesse período, era visto como clube anti-regime, contrariamente ao Dynamo Berlin e ao Dynamo Dresden, conotados com as autoridades oficiais. Nunca foi campeão.
Embora tivesse menos recursos, o Union Berlin era considerado o clube "do povo" e "da resistência". O regime mudou, mas a rebeldia ficou.

Livorno:
Clube da cidade onde, em 1921, foi fundado o Partido Comunista Italiano - que, nos anos 70, chegou a estar perto de ganhar eleições.
Fruto da força que o partido teve na cidade, o Livorno é dos únicos clubes europeus explicitamente associados ao comunismo.
O clube já teve claques de cunho abertamente comunistas, que exibiam bandeiras e tarjas a exaltar essa ideologia.
O símbolo máximo do Livorno é Cristiano Lucarelli, melhor marcador da Serie A em 2004/05 e que chegou a declarar ser comunista.
Marseille:
É associado à classe trabalhadora, ao multiculturalismo e à oposição às elites parisienses.
No Velodrome, o estádio do clube, é habitual serem exibidas bandeiras com o rosto de Che Guevara.

Liverpool:
Enquanto cidade portuária industrial, Liverpool sempre teve forte tradição operária e sindical.
Durante os anos 70 e 80, a cidade sofreu crises económicas profundas, cortes nos serviços públicos e desemprego elevado.
O clube tornou-se um símbolo da identidade da classe trabalhadora local e, por extensão, da luta destes sectores contra o governo da conservadora Margaret Thatcher.
Celtic (Escócia):
Tem uma ligação histórica ao republicanismo irlandês e a causas como o antifascismo.
Os adeptos fazem frequentemente homenagens e protestos pró-Palestina.

Real Madrid:
Historicamente associado ao centralismo espanhol, passou a ser utilizado pelo franquismo como símbolo da unidade espanhola.
Tem uma base adepta transversal, embora, historicamente, os adeptos costumem ser mais conotados com as elites madrilenas.
Espanyol:
É um clube tradicionalmente associado ao espanholismo na Catalunha, por oposição ao FC Barcelona.
Por esse motivo, é visto como o clube "do establishment" espanhol na Catalunha, rejeitando os ímpetos nacionalistas da região.
Vários sectores das claques organizadas perfilham valores conservadores e unionistas.

Lazio:
É quase o contraponto de direita ao Livorno. A sua claque histórica, os Irriducibili, assume-se abertamente como sendo de extrema-direita.
Os Irriducibili costumam exibir símbolos fascistas ou bandeiras com imagens de Mussolini. Muitos fazem ostensivamente a saudação romana.
Hellas Verona:
A cidade de Verona situa-se numa região do Norte de Itália com tradições conservadoras e nacionalistas. O clube é influenciado por essa matriz sociológica.
O Hellas Verona tem grupos organizados de adeptos que não escondem as ligações à direita radical, alguns deles reivindicando a tradição fascista.
Chelsea:
Sempre teve uma base de adeptos ligada a bairros da média e alta burguesia londrina, como Chelsea ou Fulham.
Por esse motivo, mesmo antes dos milhões de Roman Abramovich, o Chelsea já era associado a sectores elitistas da capital britânica.

Chemnitzer FC:
Clube modesto da antiga Alemanha de Leste. Até 1989, a cidade de Chemnitz chamava-se Karl-Marx-Stadt, ou seja, Cidade de Karl Marx, o fundador do socialismo científico.
O Chemnitzer simboliza um fenómeno comum no Leste da Alemanha após a queda do muro de Berlim: o alinhamento progressivo dos cidadãos à direita, muitas vezes à direita radical.
É talvez o clube em que isso se nota de forma mais nítida, devido à claque abertamente neonazi. Mas podiam ser mencionados outros emblemas do Leste, como o Dynamo Dresden ou o Hansa Rostock.
Beitar Jerusalem:
É um dos casos mais claros fora da Europa. A base social do clube são os sectores conservadores e religiosos da cidade, o que se repercute nos adeptos.
A claque organizada, La Familia, defende explicitamente uma ideologia de direita, nacionalista radical e anti-árabe.