Quando chegou ao Real Madrid, há pouco mais de meio ano, Xabi Alonso era um dos treinadores com mais aura do futebol europeu.
Com ele ao comando, o Leverkusen tinha ganho, em 2024, a primeira Bundesliga da sua história.
Treinador com um estilo muito dinâmico e destemido, Alonso aceitou ficar mais um ano na Alemanha antes de rumar ao Real Madrid, onde já triunfara como jogador.
Criou muita expectativa, mas foi despedido sem sequer completar uma época. Deixa o Real em 2.º lugar, a quatro pontos do rival Barcelona.
Recorda aqui os principais momentos que levaram à saída de Xabi Alonso.

É verdade que tinha acabado de chegar ao clube, mas no Real Madrid não há margem para errar.
Depois de já ter empatado (1-1) frente ao Al-Hilal, na fase de grupos do FIFA Club World Cup, o Real foi goleado por 4-0 pelo PSG.
Tão ou mais do que a goleada, ficou na retina a facilidade com que os franceses afastaram os merengues: ao intervalo, o resultado já estava em 3-0.
Foi o primeiro sinal de que muito teria de mudar.
A época de 2025/2026 até tinha começado bem, com sete vitórias nos primeiros sete jogos. Depois, veio o Atl. Madrid.
O Real até esteve a vencer por 2-1, mas acabou a perder por incríveis 5-2. Há 75 anos que os colchoneros não marcavam cinco golos ao maior rival.
A derrota marcou também a perda da liderança para o Barcelona. Os merengues começaram a duvidar do treinador.
Ainda assim, o Real regressou à liderança logo depois. E quando, à 10.ª jornada, derrotou o Barcelona em casa (2-1), abriu uma vantagem de cinco pontos na liderança.
Só que o pior estava para vir. O Real ainda goleou (4-0) o frágil Valencia na ronda seguinte, mas o que se seguiu foi uma sequência de cinco jogos só com uma vitória, e que incluiu três empates seguidos na liga:
Em menos de um mês, o Real desperdiçava uma vantagem de cinco pontos no campeonato. Quatro jornadas após a vitória diante do Barcelona, estava de volta ao 2.º lugar.
Já havia sintomas de que a equipa não estaria alinhada com Xabi. No El Clasico que os merengues ganharam, Vinicius Jr. foi substituído e gritou: "Sou sempre eu! Vou-me embora da equipa".
Logo no jogo seguinte, com o Valencia, Vinicius desautorizou o treinador, cobrando - e falhando - uma grande penalidade que deveria ter sido cobrada por Mbappé, conforme o treinador frisou após a partida.
Nas semanas seguintes, após o empate com o Girona, a The Athletic noticiou que havia, no balneário merengue, um clima de discórdia em relação às ideias e à gestão de Xabi Alonso.
Existiam mesmo rumores de que Vinicius não renovaria contrato se o técnico continuasse.
Depois da escorregadela em Girona, o Real deu um sinal de que a retoma estaria ao virar da esquina, indo ao terreno do Athletic Bilbao vencer por 3-0.
Contudo, foi sol de pouca dura: na jornada seguinte, sofreu uma improvável derrota caseira às mãos do Celta de Vigo (0-2).
Três dias depois, novo desaire em pleno Santiago Bernabéu, desta vez perante o Manchester City (1-2).

Na final da Supertaça, sabe-se agora, Xabi Alonso já tinha a cabeça a prémio.
O Real Madrid apresentava um futebol mastigado, muito diferente do dinamismo que o técnico basco construíra no Leverkusen. Mesmo quando venciam, os merengues não convenciam.
Na Supertaça, o Real ainda conseguiu anular duas vezes a vantagem blaugrana, mas um golo de Raphinha, aos 73 minutos, selou a partida... e o destino de Alonso.
O Real vai ser agora orientado por Álvaro Arbeloa, antigo defesa do clube que foi companheiro de equipa do treinador agora despedido.