Para um piloto a telemetria tornou-se numa ferramenta imprescindível. Atualmente, há cada vez mais restrições no que a testes em pista diz respeito, seja por motivos financeiros, regulamentares ou de sustentabilidade ambiental, e os dados recolhidos pelos milhares de sensores instalados nos monolugares ajudam, não só os engenheiros, mas também os pilotos a entender e a otimizar os seus monolugares e a sua abordagem em menos tempo.
Um piloto começa sempre por analisar os canais de dados mais úteis para ele, aqueles que o vão ajudar a melhorar a sua condução, percebendo onde está a perder tempo ou onde pode ganhar ainda mais tempo. Esses canais passam pelo (tempo delta, velocidade, gráfico do acelerador, gráfico dos travões, gráfico do ângulo de volante e gráfico de mudanças).
A partir do tempo de delta conseguimos rapidamente identificar em que curvas perdemos mais tempo e dedicar mais tempo a esses casos. Depois há curvas em que é necessário ir mais ao detalhe, pois as perdas podem ser mínimas, mas a abordagem pode ser diferente. Por esse motivo, um piloto analisa cada curva por forma a juntar todos os pontos ideais das voltas de comparação para quando voltar ao circuito tentar replicar essa volta ideal.
Por vezes não é possível, e é nesse momento que os engenheiros tentam ajudar os pilotos dando-lhes um monolugar que vá mais ao encontro do que o piloto precisa. No entanto, há que ter em mente que o monolugar perfeito não existe e para se ter um comportamento do chassi mais perto do perfeito num determinado número de curvas, muitas das vezes torna-se menos perfeito noutras.
Caso um piloto esteja a perder muito tempo em travagens, há que analisar a pressão de travagem da volta de referência e perceber em que zona da travagem está esse tempo. Pode ser no início (pico de travagem), na fase intermedia (desaceleração) ou na parte final (aliviar). De forma a otimizar a travagem ao máximo é preciso analisar outros gráficos (velocidade de cada roda) no momento de travagem. Depois de analisar isto é possível entender se há mais margem para aplicar pressão nos travões sem bloquear e por consequente danificar os pneus dianteiros, alterar o balanço da travagem ou se apenas uma alteração no setup pode ajudar o piloto a alcançar a forma de travagem da volta de referência.
Quando analisamos o gráfico da velocidade e nos faltam kmh, temos sempre de verificar o gráfico do acelerador. Isto para percebermos onde e com que rapidez estamos com o pedal a 100% de forma a chegar à conclusão de que saímos mal da curva, falta-nos potencia (em caso de setup igual/idêntico) ou falta-nos kmh por termos um setup que provoca mais arrasto. Caso tenhamos saído mal da curva o problema geralmente vem da abordagem à curva logo desde o momento da travagem ou do posicionamento/trajetória.
O gráfico das mudanças indica-nos se estamos a abordar uma curva de forma drasticamente diferente da volta de comparação, se usando uma mudança acima pode ajudar a manter uma velocidade mínima por curva maior ou se usando menos uma mudança pode ajudar usando a travagem do motor.
O gráfico de volante é talvez dos mais importantes. É onde podemos perceber os pontos de inserção em curva, a agressividade dos inputs e também as diferentes correções que fazemos, sejam elas na entrada, a meio ou na saída das curvas.
É com estas informações que os pilotos, muito simplificadamente trabalham, de forma a progredirem em pista de uma forma mais rápida, sem necessitar de mais tempo de pista extra e é com estes dados e algumas mais ao detalhe que os engenheiros ajudam os pilotos a atingir o limite dos seus monolugares.