Às vésperas da visita do Benfica a Stamford Bridge na 2.ª jornada da fase liga da Liga dos Campeões, José Mourinho deu uma entrevista à UEFA onde falou do regresso à competição, do reencontro com o Chelsea e da forma como evoluiu como treinador. “O que eu sou hoje é o que eu sou hoje, e não o que fiz no passado”, disse o técnico, sublinhando que será “julgado pelo que faz agora”.
Mourinho recordou que os anos fora da Liga dos Campeões também trouxeram finais europeias, mas não escondeu a importância do regresso: “A Champions é a maior competição, com os clubes mais importantes da Europa, e para mim significa muito.”
Ao mesmo tempo, colocou o Benfica no patamar dos clubes com quem fez carreira: “Treinei muitos gigantes… e o Benfica é um gigante; um clube assim traz responsabilidades e expectativas gigantes, é o tipo de desafio de que eu preciso.”
Chelsea FC
Sobre voltar a Stamford Bridge, o treinador foi direto: “O Chelsea pertence à minha história e eu pertenço à história do Chelsea.”
Ainda assim, garantiu que o lado emocional fica à porta quando a bola rola: “Antes e depois do jogo percebo onde estou; durante o jogo, tenho a capacidade de esquecer e simplesmente competir.”
Questionado sobre a motivação, Mourinho disse que ainda sente a mesma adrenalina de sempre: “Se um dia sentir menos alegria ao acordar para trabalhar, menos alegria por ganhar ou menos tristeza por perder, isso será uma luz vermelha.”
E recuperou uma conversa com Sir Alex Ferguson antes de um Real Madrid–Manchester United: “Perguntei‑lhe se a tensão mudava com os anos; ele disse: ‘Não, nunca muda.’ Passaram mais de dez anos e os meus sentimentos não mudaram.”
Mourinho considera‑se hoje um técnico mais voltado para os outros: “Sou melhor hoje do que antes… talvez no início fosse mais centrado em mim; agora sou mais altruísta. Estou no futebol para ajudar os jogadores e dar alegria aos adeptos, penso mais no clube do que em mim.”
Sobre a imagem pública, foi taxativo: “Nunca me vi como génio; talvez um provocador, um pouco. Os jogadores são mais importantes do que eu; estou aqui para os ajudar.”
Admitiu que há jogos em que sentiu que a estratégia ditou o resultado “momentos e decisões que mudam tudo”, mas rejeitou qualquer culto do “eu”.