O Benfica recebe o Real Madrid amanhã, num jogo de tudo ou nada para os encarnados na luta pela continuidade na UEFA Champions League.
O Real está bem mais confortável, segue em 3º lugar, mas não deverá vir à Luz facilitar numa altura de transição no clube 'Merengue', com Álvaro Arbeloa a querer impor a sua liderança depois da saída do compatriota Xabi Alonso.
Benfica e Real Madrid não têm um grande histórico de confrontos em jogos oficiais. Aliás, temos de recuar até aos anos 60 para encontrar os três duelos anteriores entre lisboetas e madrilenos.
A primeira dessa três vezes aconteceu em 1962, quando Benfica e Real disputaram final da Taça dos Campeões Europeus, atual UEFA Champions League.
O jogo sorriu aos encarnados que se tornaram assim bicampeões europeus sob orientação do húgaro Béla Guttmann, treinador que após a conquista lançou a conhecida maldição sobre o Benfica.
A final de Amesterdão é um dos jogos mais icónicos das 'Águias', como o 5-3 imposto aos espanhóis comprova. Um ano antes, já o Benfica tinha derrotado os maiores rivais do Real, ao vencerem por 3-2 o Barcelona e conquistando o seu primeiro troféu continental.
O Real Madrid estava no topo do futebol europeu, tinha conquistado as primeiras cinco edições da prova, e apesar da vitória do Benfica no ano anterior, assumia-se como favorito, até pelo percurso exemplar que tinha vindo a registar nessa temporada na competição.
Era uma equipa com Paco Gento, recordista de conquistas de Champions e de LALIGAs, de Puskás, o super goleador húngaro, e de Alfredo Di Stéfano, um dos mais importantes jogadores da história do Real Madrid.

Puskás fez hat-trick nessa final, e até colocou o Real em vantagem por 0-2, dificultando em muito a tarefa ao Benfica. José Águas e Domiciano Cavém fizeram a igualdade, antes de Puskás fazer o terceiro, para Mário Coluna voltar a igualar depois. 3-3 era o resultado à hora de jogo.
Aqui apareceu um dos maiores do futebol nacional. Eusébio tinha apenas 20 anos e estava na sua época de afirmação em Portugal. Driblou até cair na área após falta 'Merengue', e ele mesmo converteu a grande penalidade. Era a primeira vez que o Benfica estava em vantagem.
Tempo ainda para um remate de fora de área do 'Pantera Negra', para carimbar de vez o segundo título europeu consecutivo. Germano, Coluna, ou José Águas eram alguns dos nomes que para sempre entravam na história do futebol português.
Benfica e Real Madrid haveriam de se encontrar oficialmente por mais duas vezes, três anos depois.
Na temporada 1964/1965 houve dupla jornada para os quartos de final da atual Champions, que os encarnados levaram de vencida, goleando por 5-1 na primeira mão, antes de perderem por 2-1 em Madrid. Haveriam de avançar até à final, onde viriam a perder com o Inter Milão por 1-0.
Agora, o Benfica tenciona que o Real não iguale o seu número de vitórias, mantendo a superioridade sobre os espanhóis. Só uma vitória permite que os portugueses continuem em prova, e se juntem ao Sporting na qualificação desta fase liga.